Guia completo pra viajar em Bariloche (sem estresse)

ARGENTINA

Giovanna Zanella

7/20/20266 min read

Já estive em Bariloche duas vezes. Uma em julho, no auge da temporada de esqui, e outra no comecinho de outubro, quando a primavera tava só começando. E olha, contrariando bastante opinião por aí, gostei muito mais da segunda viagem. Mais pra frente eu conto o porquê.

Mas antes, se você tá pensando em ir e ainda não sabe muito bem por onde começar, esse post é pra isso. Vou te contar como cheguei lá, onde fiquei, como me locomovi e o que valeu a pena fazer (e o que talvez não precise correr tanto atrás).

Uma coisa que vale adiantar: a época do ano muda completamente a cara da cidade, e sim, não é só no inverno que a cidade é linda! No inverno, de junho a setembro, Bariloche vira point de esqui, com os cerros lotados, cidade abarrotada e preços mais inflados. Já na primavera a coisa é bem mais tranquila. A neve derrete, ficando mais no topo das montanhas, o lago fica com outra cor e, o melhor, tem bem menos turista

Foi nessa segunda vinda que eu consegui curtir trilhas com calma e até achar umas praias mais escondidas na beira do lago. Então pensa no que você quer da viagem antes de escolher a época, porque muda tudo.

Como chegar em Bariloche

Tem basicamente três jeitos de chegar lá.

O mais rápido é de avião. O aeroporto de Bariloche (BRC) recebe voos de várias cidades da Argentina, principalmente de Buenos Aires. Saindo do Brasil você consegue voos diretos principalmente de São Paulo. Se você tem pouco tempo, esse é o caminho mais óbvio.

Se você curte estrada, dá pra chegar de carro, saindo do Brasil ou do Chile por exemplo. É um trajeto que muitos amantes de carro amam, pegando a ruta 40 desde o norte da Argentina. A vista no caminho é de tirar o fôlego. Só um adendo: se for no inverno, olhe em tempo real as estradas, pois muitas podem fechar por conta das nevascas.

E por fim, tem também a opção de ônibus, que eu particularmente acho que vale a experiência se você tiver tempo sobrando. Empresas como Via Bariloche e Andesmar fazem esse trajeto saindo de várias cidades grandes, só que prepara o corpo porque a viagem pode passar de 20 horas. A paisagem da Patagônia compensa bastante, mas não é pra qualquer um.

Quando ir

Essa é talvez a pergunta mais importante antes de fechar qualquer coisa, porque Bariloche muda completamente de cara dependendo da estação.

Inverno (junho a setembro) É a temporada mais concorrida e também a mais cara (acredite em mim, os valores, principalmente de hospedagem, triplicam). Pra garantir neve pra esquiar o ideal é ir a partir do meio de julho. A cidade toda fica com aquele clima de neve, chocolate quente e fondue à noite. Bonito de ver, mas espere preços mais altos, mais gente e estrada que pode fechar por causa da neve.

Primavera (setembro a dezembro) Aqui foi onde eu me apaixonei de verdade por Bariloche. A neve derrete, aparecem flores pelo caminho, o lago fica com outra cor e a cidade esvazia bastante. Dá pra fazer trilha com calma, achar cantinhos vazios na beira do lago e ainda pegar preços melhores que no inverno. Se você não faz questão de esquiar, essa é provavelmente a melhor época pra ir. Nas duas primeiras semanas você ainda pode ver neve nos cerros pra se divertir, mas provavelmente não pra esquiar.

Verão (dezembro a março) É quando o clima fica mais quente e ameno, ótimo pra quem quer nadar, andar de caiaque ou pescar. A cidade fica animada, com bastante evento e festival rolando. Só não espere sossego, porque é uma das épocas mais movimentadas do ano depois do inverno, os argentinos adoram ir pra lá no verão.

Outono (março a junho) É a época mais "escondida" de Bariloche, quando menos gente pensa em visitar. As árvores mudam de cor, o clima ainda é agradável e os preços costumam ser os mais baixos do ano. Se seu foco é economia e tranquilidade, vale muito a pena considerar.

No fim, não existe estação errada, existe a estação certa pro que você quer da viagem.

Onde ficar

Isso aqui depende muito do que você busca na viagem.

Se seu estilo é ficar perto da natureza e ainda ter privacidade, um Airbnb na região do Cerro Otto é uma baita pedida. Tem vista incrível pra montanha e você ainda economiza cozinhando suas próprias refeições.

Minha sugestão é a Cabana San Carlos de Bariloche , uma excelente opção se você estiver com carro alugado.

Se preferir um conforto de hotel, o Hotel Sol del Nahuel fica bem pertinho do lago Nahuel Huapi e tem aquele clima aconchegante depois de um dia inteiro andando. Os quartos com vista pro lago valem muito a pena. Fiquei lá na minha primeira ida a Bariloche.

Agora, se você quer estar no meio da agito, perto de restaurantes, loja e do Centro Cívico, vale procurar hospedagem perto da Avenida Mitre. É a região mais movimentada da cidade e fica a poucos passos de muitos pontos turísticos.

No fim das contas, pensa: você quer sossego com vista, conforto de hotel ou estar em um lugar mais central? Cada opção tem seu charme.

Como se locomover

Alugar um carro é, sem dúvida, uma decisão que pode transformar sua viagem. Bariloche fica cercada de montanha e lagos, e com carro você ganha liberdade total pra parar onde quiser, sem depender de horário de van ou passeio fechado.

No inverno, vale procurar locadoras que oferecem carro com tração nas quatro rodas, porque estrada com neve e gelo não é brincadeira. E se for dirigir nessas condições, use corrente no pneu. Mas olha, cuidado viu? Muitos brasileiros passam aperto dirigindo na neve.

Já no verão (ou primavera, no meu caso), as estradas ficam em ótimo estado e praticamente todo ponto turístico vira fácil de chegar sozinho.

Caso não queira alugar carro, você pode andar pela cidade principalmente com remis ou ubers, funcionam bem por lá.

O que fazer

Bariloche é o tipo de destino para amantes da natureza e da gastronomia. Se estiver com um carro alugado vai poder explorar melhor e fazer muitas cosias por conta própria, mas caso não esteja, muitas agências fazem tours particulares ou em grupo pela região.

Por lá tem muitos cerros, como o Cerro Otto (mais perto da cidade), Cerro Campanário, Cerro Tronador e Cerro Catedral. Mesmo que não queira esquiar, o Cerro Otto e o Campanário são mirantes lindos com cafeterias, e são paradas obrigatórias. Já se você curte esqui ou snowboard, aproveite o pra esquiar no Cerro Catedral ou no Tronador. E se for na época mais quente, ainda dá pra subir até os mirantes e curtir a vista dos lagos e montanhas com calma.

Outro passeio imperdível é o Circuito Chico, uma estrada de uns 60 km que dá pra fazer de carro ou bicicleta. É repleto de mirantes pra parar, tirar foto e admirar o Lago Nahuel Huapi de vários ângulos diferentes. Um dos passeios mais lindos, sem exagero.

Pra sair um pouquinho das montanhas, uma opção é o passeio para o Bosque de Arrayanes e para a Isla Victória, é um passeio lindo e vale muito a paisagem, aqui tem o link pra você reservar.

Claro, não posso deixar de fora o centro, conheça a rua Mitre, o centro cívico e a catedral. Não deixe de passar nas chocolaterias Mamushka e na Havanna (sou fã assumida). Bariloche é famosa pelos chocolates, então reserva um espaço na mala (e no estômago) pra experimentar. E sim, é no centro que os principais restaurantes da cidade estão! Por lá você vai encontrar feiras de artesanatos tradicionais da cidade, como a Feria Artesanal del Centro Cívico.

Se você tiver mais um dia livre, vale muito a pena encarar a Rota dos 7 Lagos, que passa por Bariloche, Villa La Angostura e San Martín de los Andes. São horas de estrada cercada de lago cristalino e florestas. Ótimo pra quem gosta de parar pra piquenique e fotos. Se estiver com carro alugado pare na estrada e procure praias escondidas, tem muitas pelo caminho.

Dica final: independente da época que você for, leva um casaco extra. Mesmo na alta temporada de verão, as noites em Bariloche esfriam bastante. E se puder escolher, considera ir fora do inverno. Menos gente, preço melhor e a cidade se mostra de um jeito completamente diferente.

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